Como a cerveja salvou o mundo

POR Duh Bellotto
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A internet nos proporciona acesso democrático a qualquer tipo de cultura que por anos esteve restrita a poucos. Muitos dizem que o seu desenvolvimento, e cada avanço tecnológico subsequente, se deve a pornografia. Difícil negar, ou vocês acreditam que o html 5 vem sendo pregado como o futuro da rede mundial de computadores apenas como alternativa ao Flash, ou como possibilidade de vídeos pornográficos em iPhones e iPads? Do mesmo modo que o surgimento da internet se deve a pesquisas bélicas, muito do avanço do mundo aconteceu por coisas que passam desapercebidas de tão corriqueiras que são hoje.

O documentário ‘How beer saved the world‘ mostra uma linha do tempo com grandes descobertas que levaram a evolução da raça humana ao estágio que estamos hoje, bem como o interesse do homem pela cerveja proporcionou isto. Focado em descobertas cientificas, em um primeiro momento acreditei ser um documentário exibido em primeiro de abril, mas a marca d’agua da Discovery (e sua consequente credibilidade) me fez ter certeza que é algo totalmente plausível. Começando pelo cultivo da cevada e passando pela invenção da escrita, o vídeo aponta para como tudo girava em torno do misterioso elixir descoberto ao acaso. Eu mesmo, se tivesse que inventar um modo de perpetuar algo para futuras gerações, certamente o substrato seria a receita de uma bela cerveja.

A película segue mostrando a importância da bebida no antigo Egito, onde foi usada como moeda corrente, base da alimentação e muitas vezes também como medicamento, chegando a idade média e dias mais atuais, sempre mostrando com o homem antigo mesmo sem saber encontrava na cerveja soluções consideradas modernas.  Um estudo mais abrangente mostraria avanços sociais, e não falo apenas na perda da inibição. A Bélgica, por exemplo, é um país surgido de uma revolução de cervejarias. Mas o apelo cientifico do filme é apenas tecnológico, o que não o compromete em nada.

Um dos fatos que mais me comoveu foi a prova de que muitos anos ates do Ford ser proclamado o pai da linha de montagem, cervejarias como a Miller e a Coors já possuíam suas engenhocas para fabricar industrialmente garrafas. Por isso, recomendo uma bela Miller que acaba de voltar ao nosso mercado para acompanhar tal documentário de suma relevância para qualquer um que se diz cervejeiro.

Curiosamente, eu sempre usei a cerveja como medicamento, mais para a alma talvez, e por anos venho sustentando a indexação do dólar ao preço da Heineken. Depois de ver esta pequena preciosidade que mostra como minha bebida favorita tirou o homem das cavernas e o colocou frente a uma tela, onde um teclado e um mouse irão facilmente substituir meus polegares opositores, só tenho a agradecer por ter salvo cada um dos meus amigos que me deixam feliz em uma mesa de bar. A propósito,  aposto que antes da cerveja, o homem se alimentava no chão.

Duh Bellotto

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