João Rubinato
Ainda não falei sobre isso e não posso deixar de lado o fato de que neste ano comemora-se 100 anos de Adoniran Barbosa, nascido a 6 de agosto de 1910. “Comemora-se” assim, no presente, porque gênio não morre.
Adoniran ainda é o retrado de uma São Paulo que batalha, que sofre, que boteca de boca em boca pra esquecer, comemorar e respirar fumaça (que agora não pode mais ser de cigarro).
Sempre achei o humor das músicas do Adoniran parecido com o de Carlitos, do Chaplin. Triste, lindo e divertido. A poesia triste com a tiração de sarro próprio – o humor que se perdeu dessa mistura caipira e italiana.
Tenho na lembrança uma época que só me é contada. Queria muito que a minha cidade uma manhã acertasse a sua posição com um novo arauto na boemia, que soubesse traduzir no samba o que acontece na cabeça de cada paulistano – este ser ainda pouco estudado porque não teve tempo de parar e bater um papo.
Pós-doutor na divina arte da botecagem, João Rubinato via sempre o copo meio vazio e cantava ele meio cheio. Rubinato – vale o estudo etimológico ![]()
Guilherme Jotapê
@gui_jotape
22.4.2010
às 11:11 em Destaques.
Comments (1)

Lindo texto, Gui!